sábado, 20 de março de 2010

Franz Ferdinand em Porto Alegre: O Show


A noite vinha chegando junto com o público, ainda tímido perto das 19h. A espera ainda era longa, nada comparado com a do Guns, mas longa. Afinal, lá se foram seis meses desde que os ingressos começaram a ser vendidos. Mas o que eram mais algumas horinhas para quem já havia esperado tanto tempo? Na verdade era uma eternidade, quanto mais se aproximava a hora do show, mais aumentava a ansiedade, a expectativa.
A entrada parece que é um alívio. A fila andando, as pessoas se posicionando próximas ao palco, quanto mais perto melhor, mais apertado, mais calor... ah, mas mais perto deles! Quanto mais perto, dá a impressão de fazer parte do show, é como uma extensão do palco, da banda. O local do show, Pepsi on Stage, era menor do vínhamos imaginando. De qualquer lugar que se escolhesse dava para ver o palco mais ou menos bem. Quando entramos os mais apressados já haviam roubado e agarrado com todas as suas forças os lugares nas primeiras filas. Mas ficamos ainda bem perto.

Depois do lugar escolhido, mais espera. Pior que esperar, é esperar com um péssima trilha sonora. Acho que o DJ que antecipava o show não fazia ideia de quem adentraria o palco naquela noite, pois o repertório estava repleto de tunt-tunts do momento e depois um CD i-n-t-e-r-m-i-n-á-v-e-l do Rappa! Pô, pelo menos podia ter tocado algo mais a ver com o estilo do show.
O fim da espera pareceu menos distante quando, lá pelas 21h15min, a Pública entrou no palco. A maioria do público, aparentemente, curtiu o show. Na minha opinião, o Franz merecia banda de abertura melhor, a Pública é muito fraquinha. Durante a apresentação da banda portoalegrense, timidamente, no cantinho do palco Alex Kapranos e Nick McCarty curtiam o show. Por essa atitude já se percebe a simplicidade dos caras. Se fossem outras bandas posers por aí, não apareceriam em público antes de começar o seu show. Provavelmente eles não queriam roubar a cena, mas a presença de parte do FF no palco só fez aumentar a ansiedade pelo térimino da apresentação da Pública, para a entrada da atração principal da noite.
Terminado o show da Pública, últimos ajustes no palco para a apresentação do FF. E a trilha para a "apresentação" dos roads foi uma salsa esquisita. Não satisfeito, o DJ solta um funk. Pediu para ser vaiado. Mas vai saber né, vai que foi o Kapranos que pediu para ouvir um funk. Gringo tem uma curiosidade com essa vertente musical brasileira.


Quando o corpo já começava a dar sinais de cansaço pela espera, aproximadamente 22h15min apagam-se as luzes. Apenas refletores azuis passeiam pelo palco. E eles entram. A euforia tomou conta do Pepsi on Stage. Para mim, um misto de euforia, felicidade e emoção. Ao primeiro acorde de Bite Hard as lágrimas brotaram. O que passou na cabeça foi a longa espera que finalmente culminara no show do Franz. E foi muito mais do que a espera na fila, espera pelos meses desde que o ingresso foi comprado. A espera vinha desde 2004, quando conheci Take me Out e foi amor à primeira audição. Logo após, ganhei o CD do FF em uma promoção e desde então passei a esperar por uma apresentação ao vivo deles. Desde então eles se tornaram uma das minhas bandas favoritas e quando entraram no palco me dei conta disto. De que se tratava do primeiro show que eu assistia do qual era inteiramente fã, que conhecia todas as músicas, músicas que já vinham me acompanhando por um bom tempo, que me já me divertiram e emocionaram e que, naquela hora, seriam apresentadas pela primeira vez ao vivo, na minha frente. Parece exagero, mas música representa algo muito intenso pra mim, interfere muito no meu modo de ser, até no meu humor. Por isso, estar prestes a conferir muitas das minhas músicas preferidas representava muito para mim. Até porque, o ao vivo é a parte mais importante para um apreciador de música. Se compra o CD, se baixa a música, imaginando ela sendo tocada no show . Poder ver de perto cada instrumento em harmonia, compondo um único som. E isso ganha uma relevância ainda maior, quando se pensa que muitas bandas já não existiam mais antes mesmo de você começar a gostar e o ao vivo ficará só na imaginação e nas imagens de alguma forma registradas. Pensando assim, assistir ao show de uma das grandes bandas da época vigente merece valor extimado.


Mas agora, mesmo me distanciando do meu "eu fã" para comentar o show, não posso deixar de dizer que foi incrível. Os caras são contagiantes, carismáticos, simpáticos e muito animados. Tudo bem que o baixista Bob Hardy e o baterista Paul Thompsom ficam mais na deles, mas nem por isso o show perde qualidade. Mas quem comanda a festa mesmo é o vocalista Alex Kapranos e o guitarrista Nick McCarty. Incorporam a empolgação das músicas e pulam o tempo todo, interagindo com o público, que conta ainda com o bônus das dancinhas de Kapranos e todo o seu rebolado. Mas o público foi completamente dominado quando o dedicado vocalista resolveu mostrar seus conhecimentos em língua portuguesa. Saiu muito mais do que um singelo "obrrrigado", como as bandas costumas fazer para agradar o público brasileiro. Kapranos mandou "Vocês estão bem?", "Mais alto!", "Tá bacana!" e ainda terminou apresentando toda a banda em português e agradecendo com um "Muito obrrrigado!".
O repertório foi desde para quem conhececia todos os álbuns, mesclando músicas do primeiro ao terceiro, até quem foi só pelos hits, pois nenhum deles ficou de fora. Mas a maioria do público parecia mesmo fiel, pois acompanhavam, no mínimo, o refrão de cada música.


Além de o show ter sido uma experiência inédita para mim, um outro acontecimento resolveu marcar sua estreia em minha vida, justo neste 18 de março. Lá pela metade do show comecei a me sentir extremamente cansada. Ainda pensei que tinha perdido a prática de acompanhar grandes shows. Mas o cansaço só foi aumentando, se transformando em fraqueza. Foi quando comecei a engergar o palco e os quatro integrantes do FF em formato de megapixels e uma sensação de TV sendo desligada. Pensei que era uma espécie de vertigem e ia passar. Mas de repente parecia que a TV em frente aos meus olhos estava cada vez mais próxima de se apagar por completo e então percebi que algo estava errado. Tratei de sair do meio da multidão, em plena Ulysses. Tomei um ar, fui até o banheiro lavar o rosto. E fazendo um parêntese, me chamou a atenção que muitas meninas se olhavam no espelho e se arrumavam enquanto Franz Ferdinand estava no palco. Achei estranho porque só fui até o banheiro porque realmente precisava, caso contrário, não arredaria pé enquanto o show não terminasse. Bem, mas após lavar o rosto me senti 100% novamente, pronta para me encaminhar para o meio da multidão novamente. O que me chateou foi que no meio da caminho começou a tocar The Fallen, uma das mais esperadas por mim, que me acompanhou até que eu conseguisse chegar, por incrível que pareça, exatamente no mesmo lugar em que me encontrava antes.
Faltando poucas músicas para o término do show, justo no final de Outsiders, quando todos se unem na frente do palco para tocar bateria, compondo um som incrível, nova visão de megapixels. Mas antes que se agravasse tratei de ir para um lugar com mais espaço, infelizmente bem mais distante do palco, mas, consequentemente, com mais ar. Não era a mesma coisa, mas, pelo menos, consegui terminar de assistir o show sem desmaiar no meio da multidão.
Uma das últimas músicas foi Jacqueline, na verdade um trecho dela com uma nova roupagem, com refrão lento como em seu início. Ficou faltando àquele baixo bem pegado e o seguimento acelerado. Outra coisa que faltou foi a parte que eu mais gosto do refrão de Lucid Drems, simplemente abolido da canção, mas não deixando de ser um dos pontos mais altos do show, juntamente com This Fire, que provocou uma explosão no público, com o perdão de trocadilho. E foi em Lucid Drems que o baterista, tão escondido ao longo de todo o show, ganhou uma apresentação solo, dividindo o palco somente com o sintetizador. Por, aproximadamente dez minutos, o show tomou forma de danceteria e todos se acabaram dançando ao ritmo daqueles sons eletrônicos com a enérgica bateria de Paul Thompson. Para fechar a apresentação, a mesma risada que encerra Thriller, do Michael Jackson.
Foi realmente um show incrível. É uma pena que tanta espera se acabe em, aproximadamente, duas horas. Saímos satisfeitos, mas já imaginando quando eles voltarão para o próximo.


Curiosidade: A minha ligação com o Franz é repleta de promoções. Quando adquiri o primeiro CD, em 2004, foi através de uma promoção da Rádio Pop Rock, em que a primeira pessoa que ligasse ao ouvir Take me Out na programação, ganhava o CD e uma camiseta. E agora para o show, claro que eu já havia comprado o ingresso há muito tempo, mas participei de uma promoção da agência de estágios IEL, em que a primeira pessoa que desse um RT em uma determinada mensagem deles via Twitter, ganhava um ingresso! Assim, pude levar meu namorado Klaus, que aprendeu a gostar de Franz comigo e, além de curtir muito o show, foi essencial quando eu passei mal.

2 comentários:

thiagoks disse...

bonito ver um texto sobre shows escrito de forma emocionada. é assim que a arte deve ser tratada.

comentários sobre o franz (e a pública):
o baixista é o cara mais foda (e olha que só ouvi em mp3!), tecnicamente;
realmente deve ser ótimo ver uma banda no auge;
pública é legal, mas leva tempo pra curtir (eles me venceram no cansaço).

(e falando em shows, em maio vai ter um SUPERshow em Cachoeirinha, de uma SUPERbanda lançou um SUPERcd agora há pouco, hehehe!)

Klaus Fiedler disse...

Puuuuutz!!

Ele não tocaram toda a Jaqueline!!(entenda como quiser)
Holy Crap Shit! Fuck!

Eu disse, o baixista podia tocar por vídeo conferência, pq não tem presença nenhuma de palco, podia ficar lá na casa dele em Glasgow, no sofá, bem relax, vendo um jogo do Celtic x Ranger e tocando baixo (entaeda também como quiser!)

"Tá bacana" (KAPRANOS, Alex, 2010)