quarta-feira, 31 de março de 2010

Os Fluorescent Adolescents Cresceram

Sarcasmo juvenil no surgimento da banda

Demorei a escrever sobre o Humbug, terceiro álbum do Arctic Monkeys, porque também demorei a digerir o disco. Não por ser ruim, bem pelo contrário, é muito bom. Mas demorei a me acostumar com a metamorfose da banda. Pois é, os Fluorecent Adolescents cresceram e mudaram. E as mudanças não ficam só no visual, de cabelos compridos e rostos sombrios. Refletem na sonoridade e nas letras de Humbug e nos novos clipes.

O álbum inteiro traz faixas com clima bem mais pesado do que estávamos acostumados a ouvir do quarteto britânico. Quando começa My Proppeler, a primeira de Hambug, é difícil se acostumar com o novo tom arrastado e meolancólico adotado por Alex Turner. E isso aparece até mesmo nos backing vocals, outrora simplemente gritados, agora têm uma sonoridade quase fantasmagórica. Logo depois vem Crying Lightning, o primeiro single e tem tudo para ser um dos grandes destaques do disco, com guitarras mais pesadas na hora certa e sons sombrios, que dão a essência de todas as faixas do álbum. Apesar da sombriedade (se é que existe esta palavra), o som dos Monkeys não se torna em nenhum momento monótono, não perde a vitalidade. Isto se deve, em parte, às baquetas nervosas de Matt Heldres. Não tão energéticas quanto nos dois primeiros discos, mas aparecem da forma necessária.

Cabeludos em sombrios na nova fase

Em Humbug também há espaço para a suavidade de Cornestone. Uma balada querida e com ar de final de romance. Simples e linda. Um pouco depois, em Pretty Visitors, temos uma bela visita das antigas animadas guitarras e bateria de Arctic Monkeys, mas é só um revival para matar a saudade e, quem sabe, a despedida de vez dos antigos Macacos do Ártico.

Humbug é um álbum redondinho na sua essência. E bom do início ao fim, é viciante e não deixa nada a desejar quanto à qualidade. Por isso, o novo Arctic Monkeys conquista. O problema, que foi o que me fez demorar a digerir o novo som, é que deixa a dúvida: ok, gostei da nova roupagem, mas não teremos mais aquelas músicas de batidinhas rápidas e rasteiras e sarcasmo juvenil, que trouxeram a banda à tona, nunca mais? Se for assim, fico com dois corações, porque gostei muito do novo Arctic Monkeys, mas sentirei saudades do que me arrebatou de primeira.

Assista o clipe de Crying Lightning:

3 comentários:

Gabriel Marquez Gonçalves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
thiagoks disse...

olha, eu teria muito o que falar, mas vou comentar duas coisas:

1 - vi um show deles da turnê do humbug na MTV, dia desses (com o Guilherme, inclusive)... realmente, eles mudaram MUITO, esteticamente. (chega a assustar a mudança do Alex, lembra algo do Kurt Cobain);

2 - quanto a questão sonora, agradeçam ao MESTRE dos mestres (ou dos magos?!), o sr. Josh Homme, que produziu o disco e levou os guris pra dar uma banda no deserto da Califórnia - fato importantíssimo pro resultado final do Humbug, única coisa que tu deixou passar.

Rebel C. disse...

Olha, tenho prattcamente doutorado em Arctic Monkeys (inclusive apresentei a nova fase deles pro seu thiagoks aí em cima) hehehehe
Por isso me sinto seguro pra dizer algumas coisas.

Acompanho a banda desde antes do primeiro disco. Da época das demos ainda e eles sempre foram muito verdadeiros em reproduzir nas músicas tudo que viviam:

- No primeiro disco o mundo deles era festinhas, garotas, e problemas com amigos e policia.

-No segundo disco depois de terem feito muito sucesso muito rápido eles tiram sarro justamente desse novo mundo que se abriu pra eles.

- E agora em Humbug eles se desafiam como artistas, seria a coisa mais fácil do mundo entrar em estúdio e fazer mais um monte de músicas pra pista de dança. Fora a tristeza que finalmente se abatou sobre o Alex.

O resposta pra tudo isso se dá numa frase que costumo usar bastante: "Todo mundo cresce um dia".