segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Quem fala o que quer...

Na última semana vivenciei uma situação que ainda não havia experimentado ao longo de meus recém completados 21 anos. Fui demitida. Não é uma situação agradável e nem esperada, mas assim como que para morrer, basta estar vivo, para ser demitido, basta estar empregado. O motivo do ocorrido se deu por uma piadinha de mal gosto feita por meu empregador, que eu resolvi responder à altura. Apesar de tudo, isto me fez chegar a algumas conclusões.
A primeira delas é de que quem fala o que quer, ouve o que não quer. E se o ouvinte em questão for seu chefe, isto poderá lhe custar o emprego, ou no meu caso, o estágio.
Também cheguei à conclusão de que estágio é um dos cargos mais sacanas já inventados. Pois um estagiário sempre vai ter que trabalhar feito um empregado, com as mesmas responsabilidades, mas com salário menor e sem nenhum tipo de benefício. Sem contar que quando alguém arranja um emprego/estágio, automaticamente começa a adquirir contas para pagar, contando com o salário que receberá no final do mês. Se o empregado for demitido terá os benefícios do Fundo de Garantia e Seguro Desemprego, para garantir o pagamento das dívidas já adquiridas, até que arranje um novo emprego. No caso de um estagiário, deverá contar com a sorte e ajuda dos pais.
Não lamentei tanto o fato, até porque não ganhava muito mesmo. Mas me questiono se um melhor salário e/ou benefícios de um emprego me fariam engolir "piadinhas de mal gosto" do tipo da que me foi feita. Isto é muito desagradável. Ter que aguentar certas coisas em prol de um salário no final do mês. Porque um empregador sabe que você irá se submeter a isso para não perder seu emprego. Sei que este tipo de coisa não é permitido perante a lei, mas muita gente que não tiver a mesma coragem que eu (e a sorte de ainda poder contar com ajuda dos pais), está sujeito a se submeter a possíveis assédios morais.
*Aproveitando o assunto, responda a enquete ao lado!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Tholl: Imagem e Sonho

O Cirque du Soleil brasileiro. Esta foi a forma que sempre me referi ao Tholl, mesmo antes de assistir o espetéculo ao vivo (e mesmo sem nunca ter visto de perto o Cirque Du Soleil). Pois comprovei que o grupo tem mesmo tudo para seguir o caminho do tão famoso circo canadense. Assiti pela primeira vez, durante as férias de inverno, o Tholl Imagem e Sonho e o que presenciei foi técnica, dedicação, beleza e magia.

O espetáculo é formado por 17 artistas que se revezam nas apresentações de acrobacias, pernas-de-pau, monociclo, equilibrismo, tecido aéreo, arco aéreo, pirofagia e esquetes teatrais. Tholl Imagem e Sonho é realizado pela Oficina Permantente de Técnicas Circenses, de Pelotas, criada em 1987 pelo então atleta de Ginástica Olímpica, João Bachilli. O grupo já montou outros três espetáculos: Performances, Visions e Vícios de Voar. Mas foi com Tholl Imagem e Sonho que o grupo se consolidou e ganhou o estado e o país.

Não é pra menos, o espetáculo que corre o Brasil desde 2002, é simplesmente emocionante. A leveza com que os artistas realizam as acrobacias por vários momentos não nos deixa perceber a dificuldade de cada movimento. A leveza é confundida com facilidade. O que indica treino, disciplina e dedicação.

O que colabora para enriquecer o espetáculo, pela riqueza de detalhes, é o figurino. É uma espécie de cômico glamourizado, característico do clássico clown (que deu origem o palhaço atual). O requinte dos figurinos nos leva a crer que são idealizados por grandes profissionais do ramo. Porém, são criados pelo próprio João Bachilli.

As maquiagens, a sonorização e as luzes dão o toque final à apresentação. E para fechar com chave de ouro (ou de prata, com o perdão do trocadilho) uma chuva de papel picado cor de prata. Os artistas entram usando figurinos brancos e empunhando guarda-chuvas transparentes. A doçura dos movimentos e da trilha sonora carregam o espetáulo de magia e emoção. Simplesmente tocante.



quinta-feira, 17 de julho de 2008

Um ano de vida


Este mês o She Blogs está completando 1 ano de existência. Para celebrar esta data gostaria de agradecer a todos os leitores que, por insistência minha ou não, lêem e comentam os textos aqui postados, garantindo assim a permanência deste blog.

Ao longo deste primeiro ano descobri que um blog pode ser muito mais do que um espaço de publicação de textos. O She Blogs se tornou quase que uma extenção de mim. Apesar de raramente publicar mais do que 1 texto por mês, não consigo deixá-lo de lado, sempre pensando em novas idéias para posts . Ele me auxilia muito no exercício da escrita. E neste sentido os leitores tem participação importante, funcionando como uma espécie de termômetro para meus textos, de acordo com os comentários que fazem. Além disso, o She Blogs me ajuda também a me expressar melhor e expor meus sentimentos em forma de palavras.

Neste 1 ano percebi que os leitores acabam ganhando importância de "audiência", pois mesmo falando de assuntos que me identifico, procuro escrever de maneira a agradá-los. Além dos textos, todos os outros ítens são pensados para os leitores: dicas de filmes; músicas; frases inspiradoras; sites e outros blogs. Todas as sugestões são sempre as que eu realmente mais gosto.

Mais uma vez agradeço aos leitores e "comentaristas". Espero que continuem acompanhando o She Blogs e fazendo bom proveito do conteúdo textual e das sugestões em geral.


terça-feira, 3 de junho de 2008

Especialmente para alguém especial...

A amizade às vezes nos prega peças. Silenciosamente prepara o terreno para algo a mais. Aos poucos tece confiança, afeto, lealdade, cumplicidade. A atração surge naturalmente, por conta do excesso de carinho, cuidado e momentos alegres. Mais do que isso, pela conexão ocasionada pela convivência.
Incrível como essa amizade trabalha devagar e com cuidado. Como quem cultiva um jardim desde o verão para vir a apreciar as flores somente na próxima primavera. No meio do percurso algumas pétalas parecem ter dificuldades em desabrochar. Mas faz parte do processo. Isso acontece só até que se descubra se gostam mais ou menos de água, mais ou menos de tomar sol. Desvendadas as preferências, estão prontas para florescer, sem maiores turbulências.
Aos poucos as características básicas de uma amizade são acrescidas de algumas outras vontades. O que antes era vontade de ligar, ver, conversar, passa a ser também vontade de tocar, sentir, abraçar, beijar. Silenciar diante a presença e deixar que o momento se encarregue do resto. “Senti meu corpo derretendo”, diria Júpiter Maçã, ou ainda “eu nem sinto meus pés no chão” delirariam os Mutantes. É justamente assim.
Depois disso vem o sorriso bobo, a risada advinda da mais sem graça das piadas. E passa a fazer muito sentido quando a Superguides canta que “agora todas as canções de amor fazem sentido”. Uma vez que, por mais ridículo que pareça, até as músicas mais toscas, de rimas mais clichês, inspiram identificações diante de vivências.
Mas toda essa preparação da amizade, facilita as coisas. Pois já se sabe e confia tanto um no outro que uma série de etapas são puladas, simplesmente fluem. “Eu não preciso falar e você está me entendendo/ Eu só preciso te olhar e sei o que está acontecendo”, diria Beto Bruno. É exatamente isso. O previsível pode perder a graça? Não mesmo. Ao contrário, torna-se surpreendente conhecer alguém ao ponto de adivinhar o que vai dizer ou de que forma vai agir em determinada situação. E um já aprendeu tanto a lidar com o outro, que não há mais motivos para divergências.
“Até parece um sonho mas estou acordado”, afirmaria Beto Bruno, ou “otra vez un sueño”, no caso do Ill Niño. Faço minhas as palavras deles, tamanha a intensidade dos sentimentos. Inimagináveis antes de senti-los. Tão intensos quanto arrepios que emergem de suspiros ao pé do ouvido.
"Se você quiser eu vou te dar um amor desses de cinema/ Não vai te faltar carinho, plano ou assunto ao longo do dia.” Quem acreditaria em tais versos de Vanessa da Mata? Pois com alguém especial podem se tornar totalmente literais.
Surpresa e certo medo surgem com uma amizade que ultrapassa para uma nova fase. Porém, tudo se tranqüiliza quando se percebe que a amizade prevalece independente de qualquer coisa, até porque foi ela quem uniu. Por isso continua intacta na essência, apenas com alguns detalhes a mais.

sábado, 24 de maio de 2008

...


Nossa, fazia tempo que não escrevia no meu blog! Que coisa! Mas não é por falta de vontade não: às vezes por falta de tempo, inspiração e certa displiscência.

Na verdade, inspiração não tem me faltado, o que falta é concentração para escrever nessas últimas semanas. É, acho que ando meio dispersa talvez... mas não é só no blog, é com tudo. Mas isso não vem ao caso agora. Quero falar minha Melhor Música de Todos os Tempos da Última Semana...

Não sei se perceberam a Melhor Música de Todos os Tempos da Última Semana aí do lado, mas se trata de Mercy, da galeza Duffy. A cantora têm sido muito comparada a Amy Whinehouse. Não é pra menos, a primeira vez que ouvi foi inevitável a associação pela semelhança do timbre. Inclusive, até seus nomes são parecidos, a dita cuja se chama Ami Anne Duffy. Porém, ambas se diferenciam em aluns aspectos. Apesar de as duas penderem para o soul, a música de Duffy parece ser mais envolvente, não tem como ficar imóvel ao ouví-la, com sua batida que chega a soar sensual. Sem falar que uma é loira e a outra morena. Uma é junck, a outra comportada (pelo menos por enquanto!).

No clipe de Mercy, qualquer um acreditaria estar diante de uma cantora da década de 50, quando se trata da mais nova dona do topo das paradas européias, de apenas 23 anos. É um belo clipe por sinal. Coreografia de passos bem cinqüentistas, com dançarinos que chegam a provocar pequenos incêndios com os pés. Vale à pena conferir.

Mas o que isso tem a ver com a foto que está aí em cima? Na verdade, nada. Está aí simplesmente porque gostei da foto e porque faz parte de um momento muito feliz e especial da minha vida, com meu eterno best friend.

sábado, 26 de abril de 2008

Jeito de Menina, Talento de Gente Grande


A considerável fila já formada causava surpresa a cada um que chegava, aumentando o número de pessoas a aguardar o show que se seguiria. Interessantes eram os comentários alheios: "O show está marcado para as 21hs porque depois das 22hs ela tem que estar na cama", ou "Será que vai valer a pena? Ela tem 15 anos! Minha irmã tem 15 anos!".

A dúvida, porém, não superava a curiosidade. A vontade de tirar a prova de que a repentina ascensão se devia ao real talento, e não a mais uma onda lançada pela internet.

O local: Porão do Beco. A atração: Mallu Magalhães, a garota prodígio que em pouco tempo se tornou a mais nova febre musical no Brasil.

Certamente, entre o público não havia ninguém com a idade da jovem artista. O que se via era gente mais velha que a garota, mas de olhos vidrados para o palco. No palco, espontaneidade, doçura e talento, uma boa dose de talento. Ao término de cada música, a menina sorria surpresa com a notável aprovação do público.

São três os motivos para o boom Mallu Magalhães: Primeiro por ser tão jovem. Com apenas 15 anos toca violão, banjo, piano e harmônica, e compõe suas próprias músicas, a maioria delas em inglês. Segundo, por tocar música folk, influenciada essencialmente por Bob Dylan e Johnny Cash. Coisa difícil de se ver atualmente, quanto mais no Brasil, onde salvo excessões como o quinteto alagoano Vanguart. Mas seu terceiro e maior mérito é que, independentemente dos anteriores, a garota realmente tem talento. Canta e toca bem, além de compor músicas melhor do que muito marmanjo por aí.

A Mallu ficou conhecida por sua página no site My Space. Abriu um show do Vanguart e desde lá deslanchou, fazendo shows em vários estados do país. Mais um exemplo de seu talento para a música, é que está fazendo parte do projeto Overcoming Trio, com Hélio Flanders, vocalista do Vanguart e Zé Mazzei, baixista do Forgotten Boys.

Vale conferir as músicas Get to Denmark , Tchubaruba e Don't You Leave Me.
Essa guria vai longe!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Sobre as pesquisas...

Pois é, o resultado da 1º enquete do She Blogs foi NDA, ou seja, nenhuma das alternativas foi a opção com o maior número de votos, sendo que nem tinha esta opção! Mas tudo bem, vou pensar em aderir esta alternativa nas próximas pesquisas. É, as interativas seguirão, porém com uma novidade: agora o negócio ficou mais profissional, tem até porcentagem. É só participar no link aí do lado! E a próxima é sobre o padre que desapareceu levado por balões. Onde será que ele foi parar??

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Pesquisa interativa

Devido sugetões e pedidos, inauguro uma nova seção no She Blogs: pesquisas interativas! Elas terão como principal objetivo expandir a interatividade dos leitores. Para respondê-las, você deve utilizar o espaço para comentários.
Aí vai a 1º pergunta, que utiliza como referência o último texto postado:

Quem melhor realizaria uma cerimônia de casamento?

(A) Um poeta, porque, como já diz no texto abaixo, ninguém melhor para entender de sentimentos e relacionamentos amorosos.

(B) Um padre, pois mesmo que os noivos não sejam religiosos, esta é a maneira tradicional.

(C) Nenhum dos dois, eu não quero me casar mesmo!

(D) O Pedro Bial, afinal, ele é o maior poeta do Brasil.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Um Amor Incondicionalmente Literário


Duvido que alguém que esteja lendo este blog ainda não tenha me ouvido falar de Fabrício Carpinejar e fazer propaganda de seu blog. Pois é, o dono dos escritos do qual me tornei tão fã, vai participar do programa de auditório que estamos produzindo para a aula de Projeto Experimental 5. O quadro que ele participará vai ser uma bate-papo sobre adaptações de livros para o cinema. Participarão também outros convidados de peso, como Otto Guerra, da animação Wood & Stock - Sexo, Oréganao e Rock n' Roll, entre outros. Mas o Fabrício, claro, foi sugestão minha.
Pra quem não sabe (este alguém não deve me conhecer), o Fabrício é poeta, cronista, jornalista e professor. Confesso que ainda não li nenhum de seus livros, mas desde que decobri seu blog passei a apreciar muito seus textos. Já tinha ouvido falar um bocado do poeta em questão, pois volta e meia ele participa de importantes eventos literários. Mas pude conhecê-lo melhor mesmo em um sarau que participou juntamente com Frank Jorge, na Feira do Livro de Gravataí. Lá pude perceber sua sensibilidade aflorada e uma personalidade meio maluca, típicas de quem possui uma veia artística. Pra se ter uma idéia, ele consegui fazer o público gravataiense, normalmente apático, interagir. Coisa difícil de acontecer, ainda mais em um sarau.
Bem, depois disso imaginei que ele tivesse um blog e decidi pesquisar. Não é que tinha mesmo!? Desde lá, não consigo deixar de lê-lo. Seus textos são de uma sensibilidade incrível. Ele consegue encontrar em pequenos detalhes a cereja do bolo. A maioria de seus textos desenvolve-se a partir de sutilezas, que normalmente poderiam passar despercebidas, mas ele as enxerga com a magnitude que merecem. Isso funciona muito bem, pois as melhores coisas da vida encontram-se mesmo nos mais sutis detalhes. Pois é, o link do blog está aí ao lado e vale à pena dar uma conferida.
Por isso tudo, estou muito feliz e anciosa pela participação do Fabrício Carpinejar em nosso programa. Será muito legal ter a oportunidade de trocar algumas idéias com alguém que com seus textos é capaz de tocar, rir, emocionar, refletir.

Curió(sidade)

Meu próximo passo é ser casada por ele. É isso mesmo, o poeta até casamenteiro já virou. Uma leitora sua, dizendo-se não religiosa, usou do seguinte argumento para convencê-lo a ralizar tal feito: "quem melhor do que meu poeta preferido para celebrar o amor?". Ela tem razão, não há ninguém melhor do que um poeta para entender de sentimentos e relacionamentos amorosos. Nada mais justo do que um poeta "abençoe" um casal. Achei o máximo a idéia e faço questão de me colocar na fila. Só falta arranjar o noivo!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma Dupla de Requinte


Os White Stripes têm tudo o que se espera de uma banda de rock atual – criatividade, timbres marcantes de guitarra e melodias que vão do dançante ao suave – e mais um pouco. Entenda-se o mais um pouco por um irretocável bom gosto e refinamento. Jack White, o cabeça da dupla, não pensa somente na música propriamente dita, mas em todos os adendos que ela pode agregar. Na era do MP3, onde a música pode ser facilmente comparada a um produto descartável, quase não se encontra motivos para comprar CDs. A menos que seus encartes sejam verdadeiras obras de arte. É o caso dos álbuns dos White Stripes. É o tipo de CD que mesmo sem conhecer o som, alguém seria capaz de comprar só pela capa.
Sem falar nos clipes. São a representação estética da excentricidade do duo. Um belo exemplo é o clipe de Conquest. Figurinos impecáveis, ótima fotografia e genuíno sarcasmo aliados à qualidade musical. Está feita a fórmula cujo resultado é uma banda singular, qualificada e refinada.

Falando nisso...


Finalmente adquiri o último álbum da dupla tão elogiada aí em cima, o Icky Thump, lançado no segundo semestre de 2007.
Como citei anteriormente, o 6º disco não foge à regra e a capa já é um colírio para os olhos. Mas claro, a música é compatível à beleza visual.
Em uma inevitável comparação com o trabalho anterior, Get Behind Me Satan, Icky Thump não supera grandes expectativas. Mas não deixa a desejar na essência e originalidade características dos White.
Pode-se perceber algumas inovações. Como em Little Cream Soda, por exemplo. A faixa apresenta riffes e arranjos mais pesados do que de costume, chegando quase remeter a heavy metal. Por outro lado, algumas faixas estão mais suaves, com melodias mais Pops, como em Prickly Thorn, But Sweetly Worn e You Don't Know What Love Is.
Inovações à parte, eles continuam aderindo sonoridades de culturas diferentes a seu som. Como gaita escocesa e banjo, este último já experimentado em Get Behind Me Satan. Mas a maior prova desta afirmação é Conquest, uma versão de um músico chamado Corky Robbins. Uma música típica de tourada, com trompetes e tudo, e um toque White de ser. A mais excêntrica do disco. Vale a pena ouvir.